A vulnerabilidade de bairros de Salvador aos efeitos do novo coronavírus — em especial os mais populares e deficientes em serviços essenciais como o transporte público e o saneamento básico — tem sensibilizado a equipe de estudantes da especialização em Assistência Técnica, Habitação e Direito à Cidade da Faculdade de Arquitetura (Residência AU+E/UFBA). A preocupação encorajou o grupo na criação do Mobiliza RAU+E, projeto que tem mapeado necessidades emergenciais de comunidades, bem como dado visibilidade a ações já existentes, facilitando o diálogo entre apoiadores e assistidos.
Apesar de ser uma iniciativa recente, o Mobiliza RAU+E já mapeou parte da necessidade de mais de vinte comunidades de Salvador, como Mata Escura, Quilombo Quingoma e Ladeira do Passo. O mapeamento está sendo feito por meio de formulário online e contato com as lideranças comunitárias, buscando entender as principais demandas de cada bairro ou organização social. “O nosso objetivo primordial é identificar essa necessidade, como a falta de abastecimento de água ou carência de alimentos, e dar visibilidade a ações solidárias que já estão acontecendo”, explica Bianca Silva Almeida, aluna da residência.
Além do trabalho de conexão para reduzir o impacto do Coronavírus em pessoas em situação de vulnerabilidade, o Mobiliza RAU+E tem buscado encontrar caminhos de intervenção direta nas comunidades a partir da assistência técnica — trabalho desenvolvido por arquitetos e outros profissionais da área (como engenheiros civis e designers) para a universalização do acesso a serviços de Arquitetura e Urbanismo. “O trabalho do arquiteto pode ser desenvolvido em diversos campos da sociedade, inclusive direcionado para as populações mais carentes. Hoje essa necessidade mostra-se ainda mais evidente, quando vemos o quanto favelas e periferias estão sendo prejudicadas, nessa pandemia, pela precariedade de tudo: saneamento básico, transporte, moradia e espaços públicos de qualidade”, afirma Almeida.
A professora da Faculdade de Arquitetura da UFBA Heliana Mettig Rocha explica que apesar de notória hoje, a existência de territórios desassistidos e precarizados já vem de um longo tempo. “A crise do Coronavírus e o impacto dela em comunidades de Salvador só deixa mais transparente aquilo que o arquiteto da área social vem apontando há muito tempo. Em 2006, de acordo com uma pesquisa da professora Ângela Gordilho, também da UFBA, setenta e dois por cento da população de Salvador vivia em áreas precárias. Temos que nos engajar nesse momento, enquanto profissionais e sociedade, e contribuir para uma transformação social e espacial”, acredita a professora.
Como ajudar
Moradores ou lideranças de comunidades que estão com dificuldades no enfrentamento da crise de Coronavírus podem indicar as respectivas necessidades em formulário disponibilizado pela Mobiliza RAU+E. Além disso, qualquer pessoa pode apoiar uma causa ou necessidade já identificada pelo grupo, entrando em contato pelo e-mail mobilizaraue@gmail.com, pelo site ou pela página no Instagram da iniciativa.

