A situação atual da pandemia, na avaliação de especialistas da UFBA, Bahiana, Estado e Município

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Ações conjuntas e reflexões à luz do conhecimento científico norteiam as atividades do movimento Pacto pela Vida, composto por governos e instituições de ensino e pesquisa, a fim de proteger a vida e enfrentar os desafios da atual crise sanitária, imposta pela pandemia da Covid-19, na Bahia.

Representantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP) e das Secretarias de Saúde do Estado (SESAB) e do Município (SMS) reuniram-se, em 06 de maio, no Webinar Pacto pela Vida 1:  A situação atual da pandemia Sars-Cov2/Covid 19, para debater sobre o papel das instituições e temas como a importância das vacinas, imunidade coletiva, ações sociais e voltas às aulas.

“Estamos todos unidos trabalhando pelo pacto pela vida”, disse o epidemiologista e professor titular do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da UFBA Eduardo Mota sobre a importância do evento, realizado em conjunto entre a UFBA e a EBMSP.  Para Mota, “o momento foi de especial de reflexão a respeito dos desafios no enfrentamento da Covid-19 e para a boa gestão da crise sanitária a nível individual e institucional”.

O pesquisador emérito da Fiocruz e titular da EBMSP Bernardo Galvão chamou atenção para a “dimensão do significado e importância do movimento Pacto pela Vida, relembrando seu surgimento, a partir de manifestações de instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Comissão Arns, entre outras, que lançaram um documento conclamando o povo brasileiro a estabelecer um pacto em defesa da vida e reflexão sobre as adversidades do cenário atual.

Vacinas, imunidade coletiva e ações sociais

Apesar de concordarem que a vacina é um recurso para controlar a pandemia, os pesquisadores debateram sobre a “necessidade da implementação de outras medidas para redução da pandemia e a volta ao nível razoável da normalidade”, como afirmou o pesquisador da UFBA e do Cidacs/Fiocruz Maurício Barreto, um dos coordenadores da Rede CoVida, iniciativa conjunta das duas instituições para refletir e atuar no combate ao coronavírus.

A pesquisadora da Fiocruz/Bahia e professora da EBMSP Fernanda Grassi acentuou que “não bastam vacinas, é preciso testagem, isolamento dos casos e uso de máscara de boa qualidade. [Mesmo tendo tomado a vacina] é importante tê-las, pois a imunidade da vacina baseia-se na memória do antígeno” e é ela que proporcionará a tão desejada imunidade coletiva.

A ilusão da “imunidade de massa”, através de infecção de um grande número de pessoas, como foi defendida por algumas autoridades, além da ideia do tratamento precoce com a distribuição de remédios sem eficácia comprovada à população, segundo o professor Barreto, “é algo sem sentido do ponto de vista ético e científico”.

“É uma impossibilidade querer controlar a pandemia de coronavírus pela imunidade coletiva ou de rebanho”, assegurou a pesquisadora Fernanda Grassi. Para ela “a proteção que vem da infecção natural não é durável, e é imoral usar, como método de controle, uma doença em que as pessoas têm casos graves. A imunidade coletiva não existe, e a prova é a passagem da primeira para a segunda onda, em várias cidades do Brasil”, concluiu.

Segundo Grassi, “o surgimento das variantes é a consequência da falta de medidas – ausência de distanciamento, aberturas das instituições etc. –  possibilitando maior transmissibilidade e capacidade de infecção e reinfecção e [novas] variantes preocupantes, que podem até escapar da eficácia das atuais vacinas”.

Analisando os “aspectos epidemiológicos”, Barreto enfatizou que “a vacina sozinha não vai controlar a pandemia, pois temos problemas de nutrição e da fome, que voltou a assolar o país, devido à falta de políticas públicas e auxílios para quem necessita”.

O pesquisador traçou um comparativo das taxas diárias de óbitos na primeira e segunda ondas, mostrando a tendência de aceleração de mortes, e enfatizou que “a epidemia tem contornos e conformações da desigualdade social, atingindo as populações mais pobres – principalmente favelados, quilombolas – na segunda onda, com mais gravidade e potência”.

Ainda assim, Barreto apontou que o Nordeste, considerada uma região pobre, “teve taxa de mortalidade menor (134 por 100 mil habitantes) que a do Brasil (143 por 100 mil habitantes), devido à articulação dos governadores no Consórcio do Nordeste, que ajudou a reduzir os impactos da pandemia.

Desse modo, os debatedores concordaram que a realização de ações específicas por suas instituições representadas, utilizando o conhecimento científico, pode minorar as consequências da crise sanitária, empreendendo uma série de atividades a nível dos governos estadual e municipal para fortalecer o sistema de saúde.

Pacto pela vida 3

Volta às aulas com aliança de vigilância

A pesquisadora do ISC e integrante da Rede CoVida Glória Teixeira ressaltou a importância de uma rede de “vigilância e controle” neste momento em que cidades do Estado da Bahia, como Salvador, estão iniciando o retorno às aulas.

Teixeira entende que “é bom voltar às aulas, pois a educação na idade mais precoce é necessária para a criança se desenvolver dos pontos de vista, não só do conteúdo, mas também cognitivo e emocional e local de socialização, apoio, solidariedade e acolhimento das crianças, em vários aspectos”. Contudo, ela enfatiza que “seria bom diminuir, ainda mais, o nível de transmissibilidade neste momento em que os indicadores de internamento hospitalar vêm caindo” e que é preciso uma “vigilância com objetivo de reduzir casos para evitar a transmissão, hospitalização e óbitos”.

A pesquisadora observa que “é muito mais perigoso ter paredões sem máscara do que enviar as crianças para escola, valendo-se de todos os cuidados, como a vacinação dos profissionais de educação com a vacina Oxforf/Astrazeneca e, principalmente, o uso e máscaras de boa qualidade”.

Além disso, Graça Teixeira defendeu a criação de uma “aliança de vigilância entre as unidades de saúde e comunidades escolares para o alerta de sinais e sintomas de problemas respiratórios agudos, a fim de articular e bloquear surtos com distanciamento social, isolamento de casos”. Ela salienta que “as escolas têm que estar prontas para notificar e buscar ajuda, em caso de pessoas com sinais e sintomas, pois as crianças têm que voltar para a escola”.

“É preciso firmar aliança concreta de articulação no nível local entre trabalhadores da saúde e da educação para proteger crianças, adolescentes e toda a comunidade, a fim de fortalecer a vigilância em casos de surto e, assim, trabalhar para reduzir a transmissão, o número de casos e de óbitos”, afirmou.

Defesa da vida, acima de tudo

O Webinário Pacto pela Vida – que, segundo o pesquisador Bernardo Galvão, foi realizado para “unir forças e enfrentar esse terrível vírus, pois a vida é maior que a política partidária” – também contou com considerações dos secretários estadual e municipal de Saúde, Fabio Villas-Boas e Leonardo Prates, respectivamente.

Ambos apresentaram dados referentes à atual situação epidemiológica da Covid da Bahia, ao longo de 14 meses de pandemia. Falaram do quadro de estabilidade na manutenção das taxas de transmissão da doença e surgimento de novos casos diários, mas apontaram a tendência de recuo de óbitos e queda na ocupação dos leitos hospitalares, devido à vacinação e medidas restritivas.

Os dois secretários também mostraram indicadores de que a Bahia está em penúltimo lugar na taxa de mortes (126/100 mil habitantes), no Brasil e atribuíram o resultado à criação do Gabinete de Crise, que inclui a UFBA, Fiocruz e CIEVS, norteando ações sustentadas no conhecimento científico, para o combate da pandemia.

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