Feira Agroecológica da UFBA resiste em formato remoto e tem história contada em livro

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A Feira Agroecológica da UFBA parou em março de 2020, junto com a maior parte das atividades presenciais da Universidade, por conta da pandemia do coronavírus. Mas se engana quem pensa que a feirinha mais querida da comunidade universitária acabou: ela está mais viva do que nunca, seja através de um sistema de entrega em domicílio que tem funcionado bastante a contento; seja através de um livro, recém lançado pela Edufba, que conta a história da feira.

Lançado no dia 10 de setembro, o livro “Feira Agroecológica: diálogo entre saberes”, idealizado pela professora Josanidia Santana Lima, do Instituto de Biologia, conta a história da feira, projeto promovido pela universidade desde 2016 e que funcionou ininterruptamente todas às sextas-feiras, no campus de Ondina, até o início da pandemia.

“A ideia de escrever este livro nasce do desejo de documentar e disponibilizar para os interessados, o surgimento, a organização e o funcionamento da Feira Agroecológica da UFBA, que é uma grande sala de aula”, afirmou a professora Josanídia na live de lançamento, disponível no canal de Youtube da Edufba. Dos 10 capítulos que compõem a obra, 9 foram escritos pela professora Josanídia, sendo 1 em coautoria com a professora Sumaia Boaventura, da Faculdade de Medicina; e 1 é assinado pelo sociólogo Eduardo Alfredo Morais Guimarães.

26/05/2017- Bahia- Brasil-Feira agroecológica no campus da Universidade Federal da Bahia Foto: Carol Garcia/GOVBA

26/05/2017- Bahia- Brasil-Feira agroecológica no campus da Universidade Federal da Bahia (Foto: Carol Garcia/GOVBA

“Nós saímos da sala e viemos para um espaço aberto com troca de saberes” diz a professora Josanidia. O projeto teve um início tímido, com 6 alunos inscritos, e nos anos seguintes foi tomando proporções maiores, tendo chegado aos 60 estudantes envolvidos atualmente no processo.

A feira conta com agricultores locais, que levam para dentro da Universidade os alimentos que produzem sem uso de agrotóxicos. Não se trata de uma feira comum, já que está ligada a uma Ação Curricular em Comunidade e Sociedade (ACCS), coordenada pela professora Josanidia, que leciona agroecologia. Portanto, diz a professora, não é um simples local de comercialização, mas sim o elo final de uma cadeia mais ampla de compromissos que assumiu com produtores, estudantes e consumidores.

Josanidia acredita que tirar os alunos do espaço da sala de aula e levá-los a campo é uma iniciativa capaz de despertar neles importantes questionamentos. Em contato com os agricultores no espaço da Universidade, os alunos  têm a oportunidade de conhecê-los melhor, entender sua forma de trabalho e viver o dia-a-dia desses profissionais. “Eles vivem o alimento em todas as suas etapas, até chegar ao consumidor final.”

A professora conta que para chegar até esses agricultores, seus próprios alunos ajudam bastante, trazendo contatos que vão acumulando em trabalhos acadêmicos, pesquisas em campo e até mesmo sua própria vivência na área. Por sua vez, os agricultores não só apresentam seu trabalho, como também participam de palestras e seminários promovidos pela Universidade. É com essa troca de saberes, com experiências dos dois lados, que a feira vai ganhando corpo.

Com o tempo, o projeto passou a agregar também apresentações artísticas de diferentes vertentes, tornando a feira um verdadeiro ‘evento’. A participação de músicos, poetas e atores chamou a atenção do público, não só do meio acadêmico, como a comunidade externa, que foi abraçando cada vez mais a ideia da feira.

A presença de professores e autoridades na área de agricultura e afins foi introduzida em uma sessão chamada Bate-papo Agroecológico, debatendo temas como reforma agrária, alimentação viva e canteiros coletivos ao ar livre, enquanto as pessoas escolhiam seus alimentos.

A professora Josanidia diz que não vê o momento de reunir todos novamente nesse ambiente de criação, cultura e bem-estar.

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‘Feira digital’

A professora Josanidia se considera também uma agricultora: em meio à pandemia, ela inclusive se mudou para uma área rural e passou a produzir ovos de galinha caipira, que comercializa por meio de delivery através dos canais da feira. Funcionando atualmente por meio remoto e com entregas em domicílio, a Feira Agroecológica tem contado com a ajuda de um grupo de agricultores para que os alimentos antes comercializados presencialmente possam ser levados às casas dos consumidores.

Além das entregas, os canais digitais de comunicação têm ajudado a ACC a se manter em funcionamento. A presença da Feira no ambiente digital se tornou mais constante em meio a pandemia. O canal do Youtube passou a ser um local de encontro para entusiastas da agroecologia, trazendo lives com profissionais da área. No Instagram @feiraagroecologicaufba, a feira já superou os 13 mil seguidores. As postagens são realizadas diariamente nesses espaços, trazendo sempre dicas e tirando dúvidas. Os alunos vêm se empenhando para que, todos os dias, informações sobre a importância da alimentação saudável sejam levadas ao público.

Desde o segundo semestre deste ano, a feirinha passou a contar até com um programa de rádio. Em uma parceria da Feira Agroecológica com a Rádio Excelsior/AM840 está sendo transmitido o programa ECOAR, com apresentação da comunicadora Patrícia Tosta. Com conteúdos semanais, sempre às quartas-feiras, são apresentados temas relacionados à saúde e bem-estar, com as presenças dos alunos da disciplina e convidados especiais. O programa pode ser conferido no site portalsaudenoar.com.br.

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