Mapbiomas: pesquisa com participação da UFBA mostra que área de favelas dobrou em 36 anos

Download PDF
brazil-g7f4dd953c_640

Imagem de anja_schindler por Pixabay

A área ocupada por favelas em centros urbanos no Brasil dobrou entre 1985 e 2020, revela levantamento do projeto de Mapeamento Anual do Uso e Cobertura da Terra no Brasil, o MapBiomas. O crescimento equivale a 3 vezes a área da cidade Salvador ou 11 vezes a de Lisboa.

Segundo o estudo – realizado por uma rede colaborativa que une universidades, entre as quais a UFBA, ONGs e empresas de tecnologia -, as áreas urbanizadas no país também dobraram no mesmo período, passando de 2,1 milhões para 4,1 milhões de hectares. Desse crescimento, 4,66% têm características de informalidade. Uma análise temporal também demonstra que as favelas são mais sensíveis às políticas econômicas e sociais, crescendo mais em períodos de retração do produto interno bruto (PIB).

“O que estamos chamando de favela aqui é o conceito de aglomerado subnormal do IBGE. São geralmente áreas onde os ocupantes não possuem posse da terra. Ocupam áreas com problemas urbanísticos, de acesso, intermitência de água, esgoto e coleta de lixo. Boa parte das vezes ocupam áreas de risco, a exemplo de biológico, ou ainda suscetibilidade de enchente ou alagamento”, explica um dos coordenadores de infraestrutura urbana do MapBiomas, Julio Pedrassoli, professor da Escola Politécnica da UFBA.

No lançamento dos resultados da sexta coleção do MapBiomas, no dia 05 de novembro, Pedrassoli contou que a urbanização no país é bastante desigual em tipo e ritmo. O estado do Amazonas, por exemplo, tem a maior porcentagem de áreas com favela no país – 45% de sua área urbanizada -, enquanto o Amapá possui 22%; o Pará, 14%; e o Acre, 12,6%. Apenas o Espírito Santo, com 21,5%, tem maior participação da informalidade no total de área urbanizada de seu território do que os estados da Amazônia.

Entre as cidades, Manaus, Belém e Salvador se destacam em relação a área total urbanizada ocupada informalmente. Belém lidera com 51%, ao seu lado Manaus registra 48% de favelas. Salvador mantêm uma pequena distância das capitais da região norte, com 42%.

Os dados mostram também o crescimento da ocupação de áreas com alta declividade alcançou 40 mil hectares. Ou seja, 1 em cada 100 hectares da área urbana encontra-se em áreas com declive superior a 30%. Pedrassoli lembra que a Lei nº 6.766/1979, em seu artigo 3º, não permite ocupações nesse tipo de terreno, salvo exceções. Conforme mostram as imagens de satélite, urbanizações em áreas de declive estão predominantemente localizadas em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo.

“As favelas cresceram ocupando muitas áreas de declividade”, observa Pedrassoli, que considera esse um dado preocupante, pois “a ocupação dessas áreas se faz por populações mais vulneráveis, que possivelmente vão sofrer riscos no futuro e presente, pensando inclusive nas mudanças climáticas que estão sendo anunciadas a todo tempo”.

Julio Pedrassoli explicou que a metodologia do estudo vem sendo aprimorada ao longo do tempo. O estudo considera área urbanizada aquelas predominantemente não vegetadas, incluindo estradas, vias e construções. Imagens de satélite e geoprocessamento em nuvem, viabilizadas pela plataforma Google Earth Engine, foram utilizadas, aplicando-se o algoritmo de classificação Random Forest.

Além da UFBA, a equipe de mapeamento de áreas urbanas conta com pesquisadores e professores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Federal de São Carlos (UFSCar), e apoio do Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais (Pólis).

O evento de divulgação dos resultados do levantamento ocorreu no canal do MapBiomas no Youtube, e contou com palestras de Pedrassoli e Mayumi Hirye, do Quadro do Paisagismo no Brasil da Universidade de São Paulo, ao lado de debatedores: Armando Palermo Funari, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA); Ana Cláudia Cardoso, da Universidade Federal do Pará (UFPA); e Antônio Miguel Monteiro, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*
Website