Compositores da UFBA têm participação ativa na Bienal de Música Brasileira Contemporânea

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Foto: Divulgação Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro

Foto: Divulgação Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro

Quatro docentes e dois egressos do Movimento de Compositores da Bahia, formado por músicos e professores da Escola de Música (Emus) da UFBA, participaram da XXIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea, realizada entre 13 a 21 de novembro, na sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.

O professor de composição e teoria da música Guilherme Bertissolo teve a sua peça “Erupção 2” selecionada por edital para participar do evento. Também enviaram obras, a convite da Fundação Nacional das Artes (Funarte) – realizadora da Bienal juntamente com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – os professores da UFBA Paulo Costa Lima (“Gota Serena” para trio de flauta, clarineta e piano), Wellington Gomes (“Lampejos Nostálgicos”) e Fernando Cerqueira (“Antigas Rotas II”) – decano da unidade. Também tiveram obras selecionadas via edital os ex-alunos da Emus Paulo Rios Filho (“Contração e Expansão”) e Marco Antônio Ramos Feitosa (“O sertão de ser tão só”).

Erupção 2: expansão contínua

Erupção 2, segundo o autor Guilherme Bertissolo, é uma peça para saxofone sopranino e eletrônica em tempo real, composta em colaboração com o saxofonista Pedro Bittencourt. “Partindo de uma exploração das sonoridades deste instrumento peculiar, a obra se desdobra como um processo de expansão contínua, onde os gestos são concatenados e se interpenetram de forma a gerar uma dramaticidade própria. Sua temporalidade ora se contrai, ora se amplia, sempre apelando pelas diversas articulações com as memórias do ouvinte”, explica.

O saxofonista Pedro Bittencourt. (Foto: Arquivo Guilherme Bertissolo)

Para Bertissolo, cuja pesquisa na UFBA articula cognição, composição e cultura, com interesse nos processos criativos e na capoeira, a Bienal de Música Brasileira Contemporânea é um importante evento da música de concerto no país, e o edital de seleção é sempre muito concorrido, de modo que “é uma honra ter uma obra apresentada ao lado de importantes nomes para a música brasileira”. Neste ano, foram 213 peças musicais habilitadas, 48 escolhidas pela comissão de seleção e 26 compositores convidados.

Gota Serena: raiva e tristeza

Já o professor Paulo Costa Lima conta que a sua peça para flauta, clarineta e piano “Gota Serena” foi composta durante a pandemia em “momento de muita raiva e tristeza”. Segundo ele, o Movimento de Compositores na Bahia, – como ele prefere chamar, e não “da Bahia, já que temos compositores de outros estados”, justifica – é uma atividade cultural que se preocupa com a formação de novos valores, não apenas o trabalho de indivíduos, mesmo que reunidos em algum grupo.

Trata-se, acredita o compositor, da experiência brasileira com maior longevidade e continuidade no campo da Composição. “Reconhece-se que o projeto/utopia dos anos 1960 continua vivo, apesar de todas as diferenças do presente, e também que sua identidade transcende a dos indivíduos ou grupos que vão se formando em cada etapa. Trabalhamos para que o movimento permaneça nas próximas décadas, que nos ultrapasse e inclusive para que cresça”, declara.

O Movimento se estrutura hoje em diversos níveis na Escola de Música da UFBA, envolvendo desde a formação pré-universitária, curso de graduação, mestrado e doutorado – além da atividade profissional dos docentes de composição. São inúmeras estreias internacionais em países como Estados Unidos, Rússia, Alemanha, Chile, França, Polônia, e diversas obras orquestrais com as principais orquestras brasileiras, informa Paulo Costa Lima em artigo sobre o Movimento.

Lampejos Nostálgicos: lembranças rítmicas e melódicas

Fonte: WordPress.com

“A minha participação nessa Bienal” foi com a obra “Lampejos Nostálgicos”, composta com base num conjunto de lembranças rítmicas e melódicas como se fossem lampejos provenientes de uma certa nostalgia vivida, conta o compositor e professor Wellington Gomes.

Discípulo dos músicos e professores Ernst Widmer e Jamary Oliveira, conta que teve “a oportunidade de aprender e conviver com o movimento criativo e fecundo de música de concerto que essa escola (a Emus) me proporcionou”. Hoje, como professor de composição dessa escola, Gomes afirma ter “observado que esse poder criativo composicional, proveniente de uma didática libertadora e heterodoxa, esteve vivo desde a geração dos compositores anteriores a mim – tais como, Lindembergue Cardoso, Fernando Cerqueira e outros – até as gerações de compositores mais recentes”.

O professor e Compositor Fernando Cerqueira

Honras ao decano

Homenageado no encerramento da XXIV Bienal de Música contemporânea Brasileira pela passagem dos seus 80 anos, o decano Fernando Cerqueira participou como convidado especial do certame com a estreia mundial da sua obra “Antigas Rotas II”, “um Interlúdio, para trombone solo e orquestra de cordas, (que) faz parte de uma trilogia cujas peças utilizam princípios e técnicas similares, aplicando processos seriais para reelaborar velhos padrões e, deste modo, compor novas estruturas que recuperem e explorem a capacidade rítmica, melódica e harmônica dos instrumentos e dos conjuntos musicais. Na proposta de “Antigas Rotas II”, assumi o desafio de contrapor a potência sonora do trombone à homogeneidade da orquestra de cordas, resultando, mesmo assim, numa interação musical que produza no ouvinte um sentido de maleabilidade e leveza do conjunto”, finaliza o compositor.

 

 

 

 

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