Academias brasileiras de Música e de Ciências têm novos membros da UFBA

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Carlos Ribas e Any Valette

Uma professora e um professor da UFBA foram eleitos esta semana para duas importantes academias brasileiras. A professora aposentada da Escola de Música Alda Oliveira tornou-se membro permanente da Academia Brasileira de Música, e o professor do Instituto de Biologia Domingos Benicio Cardoso foi eleito membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Eleita para ocupar a cadeira número 35 da Academia Brasileira de Música, a professora aposentada e ex-diretora (1992-96) da Emus Alda Oliveira substituirá o músico, compositor e também professor da Emus Jamary Oliveira (1944-2020), com quem foi casada – o casal foi fundador do Programa de Pós Graduação em Música da UFBA (PPGMUS).

IMG-20211203-WA0013Duas vezes graduada pela UFBA — em piano e na licenciatura em música —, mestre em Composição pela Universidade Tufts e doutora em Educação Musical pela Universidade do Texas, Alda Oliveira disse ao Edgardigital ter ficado muito emocionada quando soube que tinha sido eleita para uma entidade criada pelo compositor Villa-Lobos, e ainda mais feliz por estar, a partir de agora, ocupando a cadeira 35 que foi ocupada por Jamary Oliveira, que faleceu em março de 2020.

“O coração só faltou pular para fora do meu corpo, tal foi a alegria de poder estar junto, novamente, ao espírito de Jamary. Tenho certeza de que ele está feliz, assim como eu. É nessa hora que nos lembramos de como foi prazerosa a estrada do conhecimento, mesmo com os percalços e dificuldades enfrentadas”, afirma Alda.

“No meu caso específico, esse percurso foi em parte percorrido juntamente com Jamary, meu querido e saudoso professor e esposo, que tornou essa viagem ainda mais proveitosa e atraente. Juntos percorremos cursos, concertos, viagens a congressos, oficinas e composição e arranjo, participações em grupos de avaliação de alunos e de cursos, bienais de música contemporânea. Dias difíceis, porém muito produtivos”, lembra, com emoção, a nova acadêmica.

A professora Alda confessa ainda que outra motivação para estar na ABM é compartilhar o respeito pela produção e saberes gerado pelas mulheres “que nos dividimos sempre entre a carreira e a família. Agradeço o apoio e o respeito que os membros da Academia demonstraram, ao receber no seu corpo institucional, uma mulher nordestina”.

Régua e compasso

Alda Oliveira também é grata à Escola de Música da UFBA, que “me deu “régua e compasso”, e recorda os mestres e colegas que participaram da sua formação como Manoel Veiga, Ernst Widmer, Jamary Oliveira, Thomas Jefferson Anderson, David Feldman, Amanda-Vick Lethco, Fernando Lopes, Conceição Carneiro Bittencourt, Therezinha Leite Requião, Clifford Madsen, John Gerling, Judith Jellison, Gérard Béhague e tantos outros.  A eles, meu eterno agradecimento por ter recebido os ensinamentos que me tornaram o que sou agora”, finaliza.

A agora acdêmica também foi presidente da Associação Brasileira de Educação Musical (Abem) entre 1991 e 1995, Secretária da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM), entre 1988 e 1990, membro da diretoria (2002-2006), e co-presidente eleita (2000-2002) da Comissão de Pesquisa da International Society for Music Education (ISME), e, recentemente, presidente do Centro de Produção, Documentação e Estudos de Música (SONARE) (2016-2020). Seu nome está presente no dicionário bibliográfico “Latin American Classical Composers: A Biographical Dictionary”.

Pesquisador de excelência

IMG-20211202-WA0023O professor do Instituto de Biologia (Ibio) da UFBA, Domingos Benicio Oliveira Silva Cardoso foi escolhido membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC) representando a região Nordeste. Os membros afiliados são jovens pesquisadores de excelência, com até 40 anos, que fazem parte dos quadros da ABC por um período de cinco anos, não renováveis. Os membros titulares elegem até cinco membros afiliados por ano para cada uma das regionais da ABC.

“Esta minha nomeação para a ABC representa não apenas uma conquista pessoal, mas também do Instituto de Biologia da UFBA, essa instituição que tanto me orgulha no cenário da educação científica, social, política e cultural do país. Apesar de todas as dificuldades, principalmente no contexto de tentativa de corte profundo das raízes e desmonte dos pilares da universidade pública que temos sofrido nos últimos anos, o Ibio sempre buscou me proporcionar todas as condições necessárias para desenvolver pesquisa científica de excelência em evolução e taxonomia da biodiversidade de plantas”, declara o professor.

O novo membro afiliado da ABC já recebeu o Premio CAPES de Tese 2013 pela melhor tese de doutorado do Brasil na área de biodiversidade, defendida na Universidade Estadual de Feira de Santana. Entre 2018 e 2020, foi bolsista da The Royal Society (programa Newton Advanced Fellowships 2018), quando atuou como pesquisador visitante no Jardim Botânico de Edimburgo. Foi palestrante em congressos internacionais na África (2013), Gana (2019) e Colômbia (2019), além de já ter sido convidado para fazer palestras durante visitas a diversas instituições da Inglaterra e da Escócia.

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