Profici supera desafios e mantém oferta gratuita de cursos de idiomas para a comunidade UFBA

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Turma de 2022 e 2021

A turma de estudantes estrangeiros (a maioria de países africanos) que obteve o certificado de proficiência em Língua Portuguesa, graças ao Profici.

Possibilitar a 16 entre 17 estudantes estrangeiros de Língua Portuguesa a obtenção do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras) é apenas a conquista mais recente do Programa de Proficiência em Língua Estrangeira para Estudantes e Servidores (Profici), mantido pela UFBA. De acordo com a coordenadora geral do programa, a professor do Instituto de Letras Fernanda Motta, o êxito “tem grande importância para a vida dessas pessoas, com reflexos nos países aos quais pertencem e para os quais voltarão após conclusão da graduação. E também é válido destacar que [o Profici] se consolida como uma importante ação de internacionalização no eixo Sul-Sul, pois os estudantes contemplados são oriundos de países pertencentes ao Sul Global – em desenvolvimento, sendo a maioria do continente africano”.

Mota acrescenta que “os estudantes que obtiveram a pontuação no Celpe-Bras requerida pelo Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) poderão permanecer com bolsa de estudos no Brasil, para fazer um curso de graduação”. Ela atesta que “essa aprovação é de grande relevância para o Profici, demonstrando o trabalho exemplar de coordenação desenvolvido pelo nosso coordenador acadêmico, Ricardo José Rosa Gualda, bem como a dedicação e competência da professora Ana Meire Santos Leite, cujas atividades docentes envolvem não só o ensino da língua, mas, também, a preparação para a vivência em território estrangeiro”.

Professora Ana Leite

A professora Ana Leite do curso de Língua Portuguesa para estrangeiros.

Ainda segundo Fernanda Mota, “é importante destacar que a eficácia do curso de português como língua estrangeira resulta de uma proposta pedagógica baseada em projetos, em que os alunos são envolvidos em atividades para uso autêntico e significativo do idioma, com a estratégia de ampliação do contato com a língua-alvo, em interações dentro e fora da aula”. Para tanto, ela afirma, “as atividades contam com sessões de tutoria e sobre temáticas de relevância social e a professora Ana Leite faz uso das redes sociais (WhatsApp e Instagram) como recursos didáticos que ampliam as oportunidades de aprendizagem”, disse a docente.

A coordenadora explica que, apesar de o Profici não ter “uma ampla procura de português como língua estrangeira como em outras línguas, porque não há muitos estudantes estrangeiros sem proficiência em português, temos ofertas para estudantes do PEC-G e, com isso, somos uma das universidades no Brasil que tem uma oferta contínua e substancial para esses alunos”.

Desafios da pandemia e opção pelo modelo híbrido

Os desafios enfrentados pelo Profici nesse período pandêmico foram análogos aos enfrentados por outras áreas acadêmicas da universidade: o não acesso de estudantes a equipamentos e conexão de internet, para acompanhamento das aulas e dificuldades de estabelecimento de maior interação e participação nas aulas, por força das limitações impostas pelo ambiente virtual.

Mas apesar desses desafios, a procura pelos cursos do Profici se manteve estável. A língua de maior procura é o inglês, seguido do francês, espanhol, alemão e italiano. Infelizmente, foi necessário suspender a oferta de cursos de alemão por decisão da área de alemão do Instituto de Letras.

Na última seleção, cujo edital foi lançado no ano passado, houve elevada procura e, como sempre, não foi possível atender à demanda satisfatoriamente, pois, desde os elevados cortes orçamentários que ocorreram em 2019, foi necessário fazer um redimensionamento no Profici que reduziu significativamente o número de monitores.

No mês de fevereiro, foi realizada uma sondagem com os alunos do Profici através de um formulário eletrônico para saber quem não poderia fazer as aulas no modelo presencial e também mapear as preferências em termos de modalidade de aulas. “Dentre os 500 respondentes do questionário, 63% informaram que prefeririam ter aulas na modalidade remota e 87,9% das pessoas disseram que adeririam ao modelo híbrido de aulas”, contou Mota.

O modelo híbrido foi pensado a partir de comentários de estudantes e monitores e pela preocupação com a situação da pandemia do Covid-19, diante do aumento do número de casos registrado no início deste ano. A professora explica que “esse formato híbrido tem 50% da carga horária presencial e 50% remota com complementação mediante atividades assíncronas. Com isso, esse formato contempla pessoas com restrições ao modelo presencial e remoto”.

Depois dessa sondagem, foi feito um levantamento das pessoas que optaram por aulas presenciais e, com isso, as turmas dessa modalidade foram constituídas por até 15 pessoas, que era o limite máximo estabelecido pela coordenação do Pavilhão de Aulas Alceu Hiltner, onde ocorrem as aulas do Profici. “O Profici é um programa dinâmico e, portanto, sempre passa por reconfigurações, que são definidas pelas demandas da nossa comunidade acadêmica, e tem expectativa de crescimento. É esperado que, diante de uma situação orçamentária mais favorável na universidade, seja possível aumentar o número de monitores e, com isso, conseguir ter uma oferta maior de vagas”, afirmou a coordenadora.

Profici e Idiomas sem Fronteiras

profici-ufba“Atualmente, temos 1.163 alunos e 15 professores matriculados em cursos de das línguas estrangeiras espanhol, francês, inglês, italiano e português como língua estrangeira”, contabiliza Fernanda Mota.

“A procura pelo Profici aumentou depois do fim do Programa Ciência sem Fronteiras. Na verdade, é possível afirmar que o desejo de aprender idiomas sempre existiu, mas, com a demanda trazida pelo Ciência sem Fronteiras, a UFBA criou um programa de proficiência em línguas estrangeiras, gratuito e que atendesse à sua comunidade interna”, lembrou.

“Desde o começo do programa, no segundo semestre de 2012, já tivemos 26.909 matrículas, em suas edições. Havia participantes em potencial de programas de mobilidade internacional, não apenas o Ciência sem Fronteiras”, diz ela.

Também havia pessoas que desejavam aprender línguas estrangeiras pelos mais diversos motivos, de finalidades acadêmicas ao anseio por saber se comunicar com pessoas de outros países, conhecer culturas diversas, ter acesso a produções artísticas e midiáticas, e também pelos benefícios cognitivos, a interação com outras pessoas em sala de aula, a complementação de atividades acadêmicas, participação em processos seletivos para pós-graduação que exigem proficiência em língua estrangeira, entre outros propósitos.

A grande procura por cursos de línguas motivou a entrada da UFBA no elenco de universidades contempladas pelo Programa Idiomas sem Fronteiras e, assim, a partir de 2015, passou a ter um Núcleo de Línguas (NucLi), no âmbito do referido programa. O NucLi está em sintonia com o Profici e sempre teve suas ações atreladas a ele.

Grande parte do alunado do NucLi deriva de cursos do Profici e é constituído por pessoas que pretendiam um aprimoramento do conhecimento da língua, pois no NucLi os cursos têm uma vertente acadêmica. Atualmente, a oferta é feita em conjunto com o Profici e foram ofertados dois cursos: produção Oral: Comunicações Acadêmicas e Toefl ITP Preparatório, com 114 participantes.

A articulação entre Profici e NucLi não atende ainda a elevada demandas por cursos de línguas estrangeiras e, com isso, a coordenação geral do Profici também passou a atuar como program manager de um Programa de Assistência de Ensino de Inglês (ETA) da Fulbright/CAPES. Os assistentes de ensino, que são estadunidenses, atuam como colaboradores dos professores do Profici e NucLi e também oferecem oficinas sobre os mais diversos temas para a comunidade acadêmica, informou a professora Fernanda.

Como programa guarda-chuva dessas ações, o Profici passou por reconfigurações para atender as demandas do Capes PrInt UFBA. Desde a implementação desse programa de mobilidade internacional, que contempla servidores docentes e técnico-administrativos e estudantes de doutorado. O Profici oferece sessões de tutoria e orientação sobre exames de proficiência, bem como dá encaminhamentos para aplicações do Toefl ITP (teste de inglês usado para fins de comprovação de proficiência no CAPES PrInt e outros programas de mobilidade internacional). Há uma procura considerável por essas sessões, sobretudo, durante o período que antecede a apresentação do comprovante de proficiência em língua estrangeira.